
A Livraria Valer tem
a satisfação de convidá-lo(a) para o lançamento
do livro “Amazônia de Euclides – Viagem de volta a
um paraíso perdido”, do jornalista Daniel Piza, que acontecerá
dia 13 de março, às 13h30 na Livraria Valer, situada na
Av. Ramos Ferreira, 1195 – Centro.
Em “Amazônia de Euclides”,
o jornalista Daniel Piza refaz a viagem realizada por Euclides da Cunha
(1866-1909) no ano de 1905 – quando foi designado para liderar
a comitiva mista brasileiro-peruana de reconhecimento do Alto Purus
– e faz uma leitura comparativa da época com a realidade
do local hoje. Além de realizar um detalhado levantamento daquele
rio, Euclides também fez uma importante análise histórica,
social e geográfica do extremo oeste da Amazônia.
Tal viagem permitiu que o escritor
fosse o primeiro a fazer uma leitura da “sociedade seringueira”,
denunciando a exploração a que era submetida. E, em 2009,
ano marcado também pelo centenário de morte do escritor
de “Os Sertões”, Piza – juntamente com o fotógrafo
Tiago Queiroz – cruzou o rio Purus e repetiu o trecho final do
trajeto do autor, com a finalidade de contemplar e eleger os pontos
que tiveram relevância dentro do itinerário euclidiano.
Dentro da reconstituição
atual, o autor contempla os pontos mencionados por Euclides da Cunha,
e elege os que realmente foram relevantes para assinalar diferenças
e semelhanças importantes na paisagem física, social e
econômica entre a Amazônia de 1905 e a atual. Estagnação
econômica, o advento da religião evangélica e a
volta dos índios kaxinawá e kulina (que, na época
de Euclides, se embrenharam na floresta para fugir dos caucheiros e
donos de seringais) estão entre as principais relevâncias
percebidas por Piza, 104 anos após o percurso de Euclides.
“A geografia física não mudou muito, pois se trata
de uma das regiões mais preservadas e menos habitadas da Amazônia,
porém, a geografia humana se transformou totalmente”, diz
Daniel Piza. “Euclides viu dezenas de seringais ocupados por caboclos
nordestinos. Nós vimos povoados com ex-seringueiros, hoje vivendo
de plantar, pescar e caçar e, sobretudo, aldeias indígenas,
que vivem do mesmo modo. No entanto, o clima de abandono - por parte
do poder público - e de um lugar ainda em formação,
onde a natureza é cambiante e surpreendente, continua o mesmo.
Aquelas pessoas seguem vivendo com pouca higiene e saúde, à
base do escambo do que plantam ou criam, e com uma escolaridade baixa
e irregular”, completa.
Com 192 páginas, o livro
amplia e adensa a matéria especial publicada em 5 de abril de
2009, no jornal O Estado de São Paulo. A reportagem integra o
projeto multimídia com textos e fotos enviados ao jornal e blog,
bem como boletins e programas de rádio, além de um documentário
- exibido pela TV Cultura em agosto de 2009. “Amazônia de
Euclides” conta também com os ensaios amazônicos,
compostos por três artigos escritos por Euclides da Cunha e publicados,
no ano de 1904, pelo jornal O Estado de São Paulo. Neles (“Conflito
Inevitável”, “Contra os Caucheiros” e “Entre
o Madeira e o Javari”), o escritor fundamenta a urgência
e a importância da expedição à fronteira
com o Peru. Tais textos foram escritos antes mesmo de Euclides ter a
confirmação, por parte do barão do Rio Branco (então
organizador das comissões demarcadoras dos limites brasileiros),
de que seria membro integrante da comitiva que percorreria o Alto Purus.
Euclides da Cunha não chegou a escrever um livro sobre a Amazônia,
mas seus estudos, após os trabalhos da comissão de reconhecimento,
formam um dos conjuntos mais expressivos sobre a região –
pouco depois da morte do escritor, tais estudos foram reunidos no livro
“À Margem da História”.
Através de entrevistas e
fotografias, o leitor tem a oportunidade de se aproximar um pouco mais
da cultura e da realidade histórica de uma das regiões
mais afastadas dos grandes centros do país. Interessados pelos
dramas e diversidades da nação, problemas históricos
que enfrentam e às vezes fingem não enfrentar, pelas questões
da Amazônia e o dilema entre conhecê-la e explorá-la,
além de uma aproximação com os habitantes que lá
vivem, terão bastante material para reflexão. Leitores
de longas reportagens, de narrativas de não-ficção
e amantes de Euclides da Cunha, um dos maiores escritores do Brasil,
também fazem parte do público alvo do livro.
Sobre o autor
Jornalista formado pela PUC de São Paulo, Tiago Queiroz desde
o início do curso se apaixonou por fotografia. Gosta de descobrir
histórias e personagens curiosos da cidade. Trabalha no jornal
O Estado de S. Paulo desde 2002. Concorreu a alguns prêmios de
fotografia: foi finalista do Prêmio Ethos de Jornalismo e vencedor
do Prêmio Abraciclo de Jornalismo, do Prêmio Olhar Solidário
e do Prêmio Estado de Jornalismo, este último pela série
de fotos “Amazônia de Euclides”.