Sala
de leitura na escola

Solução simples e eficaz chama a atenção
das
crianças para a leitura: o conforto
Por
Tony Santos
s alunos da escola estadual Marquês de Santa Cruz, localizada
na rua Virgílio Ramos, no São Raimundo, estão
vivendo um novo ritmo em seu ambiente de estudo, é
que na última terça-feira, dia 26, foi inaugurada
a Sala de Leitura “Elson Farias”, com direito
a presença do escritor homenageado. Instalada no segundo
andar, causa surpresa para quem entra pela primeira vez.
Entre
almofadas coloridas, tapetes e pufes, cerca de 20 alunos estão
literalmente espalhados pela sala, mergulhados na “viagem”
promovida pelos livros. E nas paredes o que se vê são
títulos variados, que vão de livros didáticos,
romances infanto-juvenis até gibis, como o História
em Quadrões, com os personagens de Maurício
de Souza contando a história do Brasil. Esse é
o preferido de Flávia Pires de Lima Brito, de nove
anos. “A sala de leitura é muito bonita e onde
eu me sinto mais à vontade para ler. É o melhor
lugar da escola”, declara.
Outro que fica contando as horas para ir à sala de
leitura é Israel Antônio de Souza Palmeira, 11.
“Gosto de vir, escolher um livro e me deitar nas almofadas
para ler. Também gosto de ficar imaginando enquanto
estou lendo”, conta. E continua: “O meu livro
preferido, até o momento, é Destino: Cidade,
de Paulo Caldas” – explica, com ares de intelectual.
Organização
Na
hora de escolher um livro, porém, os alunos contam
com o apoio de outros colegas previamente selecionados para
essa função. Eles são chamados de “bolsistas”,
pois recebem da Fapeam
– Fundação de Amparo à Pesquisa
do Estado do Amazonas – uma bolsa auxílio. São
eles que selecionam, organizam e ajudam as crianças
em seus primeiros passos no mundo da leitura.
A aluna Ketlen Maria é “bolsista” e faz
questão de dizer que dentre os títulos mais
lidos estão os de Elson Farias. “Todos querem
saber quais são os livros do amazonense autor de histórias
infantis”, conta.
O
projeto
Para a professora de Língua Portuguesa Jeane Tenório
Cavalcante Monteiro, a Sala de Leitura é a realização
de um sonho desde a conclusão do seu curso de Letras.
“Fiquei muito feliz em ver o meu projeto ‘Construindo
Sentidos Através da Leitura’ ser aprovado no
PCE – Programa Ciência na Escola – da Fapeam,
e agora se realizando aqui”, explica. “Ele se
inicia com a construção e a ambientação
da sala de leitura, de forma a ficar o mais agradável
aos olhos das crianças, sem deixar de ter conforto.
No projeto, afirmo que o local influencia totalmente no processo
da leitura”, disse.
“É
preciso dizer que a escola Marquês de Santa Cruz já
possuía uma biblioteca. O que os alunos ganharam foi
um novo espaço de leitura. Menos rígido, com
artes, cores e, assim, mais lúdico”, afirma Jeane.
Para a diretora do colégio, Maria Alice Dinelly Mafra,
a sala de leitura é sucesso garantido. “Os alunos
adoram!”, exclamou.
O
homenageado
Segundo
o escritor Elson Farias, o salão de leitura que levou
o seu nome está de muito bom gosto. “O lugar
ficou muito agradável, dá uma sensação
de paz. Lembrei-me de quando era um menino. Na hora de ler,
tudo influencia na magia do pensamento, principalmente quando
se é criança. E quanto à homenagem, achei
muito boa. Afinal, escrever obras infanto-juvenis é
um prazer”, conclui.
Elson
nasceu em Roseiral, município de Itacoatiara, no interior
do Amazonas, onde viveu até sua adolescência,
e, ao completar 18 anos de idade, veio para Manaus estudar.
Estreou no mundo literário com o livro de poemas Barro
Verde (1961), em seguida vieram as obras poéticas Três
Episódios do Rio (1965), Ciclo das Águas (1966)
e outras.
Participou, igualmente, do Clube da Madrugada, sendo um dos
seus principais membros; foi por duas vezes presidente da
Academia Amazonense de Letras.
Além dos poemas, dedica-se à ficção
e ao público infanto-juvenil, destacando-se no cenário
amazônico com dez títulos que compõe a
série: As Aventuras do Zezé na Floresta Amazônica.
Está entre os mais profícuos autores da literatura
produzida no Amazonas, considerado renovador e um dos precursores
da poesia de conteúdo regional modernista. Suas histórias
se voltam para a cultura popular e a vida interiorana.
É um dos gestores do Flifloresta
– Festival Literário Internacional da Floresta
– que acontece em novembro em Manaus.