Editora
Lança Série de Antropologia
Obra
mostra resultados de pesquisa etnográfica sobre união
e parentesco dos Waimiri-Atroari

Por Suzana Caetano
Uma parceria firmada entre a
Editora Valer e a Edua pretende editar uma série de livros
na área de Antropologia. A coleção faz parte
do conjunto de ações do Programa de Pós-Graduação
em Antropologia Social da Universidade Federal do Amazonas. O primeiro
livro da série “Etnológicas” já está
pronto e será lançado
em Manaus no próxima quinta-feira, 13. Romance de primos e
primas é o título da obra do antropólogo Marcio
Silva. O trabalho foi realizado com base na pesquisa de parentesco
entre os Waimiri-Atroari, um dos povos indígenas da Amazônia.
Marcio Silva é linguista
e antropólogo. Possui doutorado em Antropologia Social pela
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Especialista em parentesco,
atualmente é professor da Universidade de São Paulo
(USP), editor da “Revista de Antropologia da USP”, pesquisador
da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de
São Paulo (Fapesp) e professor colaborador da Universidade
Autônoma de Barcelona, na Espanha.
Colaborou por duas vezes, em 1988 e 1999, como professor visitante
na Universidade Federal do Amazonas (Ufam).
Marcio diz que apesar da obra
ser intitulada como romance, não se trata de um texto ficcional,
mas de uma etnografia, ou seja, estudo de um determinado grupo social
por meio da coleta de dados. “Este livro não deve ser
lido como romance, pois o romance dado ao título é de
primos e primas e não do autor. Trata-se de um romance interessado
nos outros, ilustrativo das relações de parentesco entres
os Waimiri- Atroari”, explica.
Durante o ano em que viveu junto
à comunidade indígena, no período de março
a novembro de 1987, dedicou-se à pesquisa de campo, que resultou
na tese sobre a união entre parentes próximos dessa
etnia. Ele explica que, para os Waimiri-Atroari, o melhor casamento
é aquele entre indivíduos que se classificam como primos
cruzados próximos. “Eles afirmam que é sempre
melhor casar entre si, ou seja, entre corresidentes, pois assim reiteram
os laços de aliança entre eles, mas as pessoas só
se casam quando se gostam”, ressalta.
Segundo o autor, esse estudo
etnográfico sobre o parentesco dos Waimiri-Atroari é
importante porque, apesar de ser uma etnia que tem destaque internacional,
até recentemente era completamente desconhecida desse ponto
de vista e, por isso, estava à margem das pesquisas sobre esse
tema. “O trabalho pretende preencher essa lacuna, contribuindo
para a ampliação da etnografia regional e, assim, permitir
o diálogo com outras pesquisas desenvolvidas na região,
que também se defrontam com sistemas de parentesco semelhante.
Quero voltar à comunidade e entregar pessoalmente às
lideranças da aldeia um exemplar, como forma de agradecimento
a essa sociedade indígena”, destaca Marcio.
Waimiri-Atroari
Os Waimiri-Atroari,
povo indígena de língua caribe, são habitantes
de uma região localizada ao sul do Estado de Roraima e norte
do Amazonas. O idioma falado por todos é denominado kiña-yara
e a língua portuguesa é usada apenas em situações
específicas do cotidiano, como, por exemplo, quando há
contato com não-índios ou excepcionalmente entre eles.
As atividades de subsistência desenvolvidas na região
são a caça, pesca e a agricultura. Atualmente, os Waimiri-Atroari
também utilizam o artesanato como fonte de renda para aquisição
de instrumentos industrializados, dos quais já dependem. A
venda é feita em Manaus pelo “Programa Waimiri-Atroari”,
que comercializa as peças produzidas na aldeia em exposições
e outros eventos.