Coleção
de 6 volumes registra ópera e música erudita de 1850
a 1910 em Belém e Manaus

Por Jacqueline Nascimento
Mais de duas mil páginas em seis volumes. É a coleção
Ópera na Amazônia, que acaba de chegar da gráfica
em belíssima edição da Editora Valer. Organizadas
pelo doutor em Ciências Musicais, Márcio Páscoa,
as obras resgatam a história da música erudita do norte
do país de 1850 a 1910. Período de grande efervescência
cultural em Belém e Manaus por conta do fausto gerado pela
economia da borracha.
A coleção é composta de seis livros, sendo dois:
“Ópera em Manaus” e “Ópera em Belém”,
contando a história da música erudita na região,
na segunda metade do século 19, especialmente a ópera.
Os outros quatro volumes trazem as partituras de “Bug Jargal”
e “Jará”, de José Cândido da Gama
Malcher; “Gil eroi”, de Meneleu Campos; “Calabar”,
de Elpídio Pereira; e “Idália”, de Henrique
Eulálio Gurjão.
A coleção é resultado dos estudos de Márcio
Páscoa e durou mais de seis anos para ser concluída.
O pesquisador teve o apoio da Universidade do Estado do Amazonas (UEA),
da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do
Amazonas (Fapeam) e o patrocínio da Petrobras, por meio da
lei de incentivo de Ministério da Cultura. As Pesquisas tiveram
como fonte manuscritos na Biblioteca Nacional, Biblioteca Alberto
Nepomuceno, da Escola Nacional de Música da Universidade Federal
do Rio de Janeiro (UFRJ), do Instituo Carlos Gomes, de Belém,
e do Museu da Universidade Federal do Pará.
Com a coleção, Páscoa presta importante contribuição
ao estudo das artes: descreve com detalhes as agitadas temporadas
de óperas nas duas capitais, lista as principais companhias,
comenta sobre as “estrelas” e reações do
público. Segundo Márcio Páscoa, as temporadas
de óperas eram extremamente apreciadas pela população
daquela época. “Para se ter uma idéia, o público
solicitava que o serviço do bonde ficasse até mais tarde
para acompanhar as noites de recitais”, enfatiza o pesquisador.
Márcio investiga a trajetória dos compositores líricos
nortistas. São três compositores do Pará e um
do Maranhão. Mas destaca Elpídio Pereira que teve parte
de sua carreira desenvolvida no circuito lírico de Manaus.
Além de seus estudos na França serem patrocinados pelo
Estado.
Os Livros “Jará” e “Calabar” retratam
histórias regionais. “Jará” é baseada
em poema sobre lendas amazônicas. Já “Calabar”
conta o episódio que envolveu portugueses e holandeses.
Márcio destaca que a população do Amazonas era
menor, porém tinha mais estímulo para assistir as óperas.
“As temporadas eram longas, com uma variedade e quantidade de
óperas; entretanto, as pessoas se interessavam em assistir.
Hoje, você não tem certeza de que vai ao teatro assistir
realmente a uma boa peça”. Observa.
A tiragem da coleção foi de dois mil exemplares, e será
distribuída para bibliotecas, museus e instituições
de ensino indicados pelos patrocinadores.