EVENTO
   

 

Aldisio Filgueiras
Relança obra na Livraria Valer

Em nosso mundo contemporâneo, renovar a linguagem poética é tarefa para poucos. Mas para o poeta Aldisio Filgueiras isso não parece tão complicado. Em seu livro Nova Subúrbios, Editora Valer, ele evidencia o seu talento e rigor com a palavra. Sua forma peculiar em denunciar “feridas” do nosso tempo e do mundo suburbano está explícita na sua opção em construir versos crus, que fogem de metáforas, num estilo objetivo.

Por Tony Santos
da Redação da Call

 

ornalista, compositor e poeta, Aldisio iniciou sua produção literária na época em que estudou no Colégio Estadual Pedro II, onde também participou do Grêmio Literário Mário de Andrade.


Nascido em Manaus no ano de 1947, já tem seu nome gravado na história das Letras do Amazonas. Sua estréia literária aconteceu em 1968, com o livro de poemas Estado de Sítio, o qual teve circulação proibida pela censura.


Mas ele não parou por aí, e, em parceria com o compositor Torrinho, compôs um dos maiores sucessos da música regional: Porto de Lenha. Também é membro da Academia Amazonense de Letras e escreve para jornais e revistas.

 


Para Aldisio, sua obra funciona como se fosse um filme contando de forma inusitada a história de homens que vivem na cidade e lutam pela sobrevivência. Na nossa “moderna” Manaus, cheia de contrastes, no meio da selva amazônica, rica, cobiçada e em meio a pobreza que alimenta os poderosos. Daí, Aldisio analisa de forma diferente o que seria para nós o simples cotidiano:

"Pois o homem é palavra
que inventa
e assina em baixo
para não esquecer"

Com poucas palavras ele ensaia sua poesia visual:

“mata                 mato
 mata    verde    mato
  mata                  mato”

Nem mesmo a “Indústria cultural da fé” é esquecida em seus versos:

"Uma camisa sem pé nem cabeça
Despenca dos andaimes frouxos
mão na frente outra atrás
sem pagar o aluguel.
Aleluia! Aleluia!"

 

Com a palavra:

Márcio Souza
“Apesar dos anos, das provações e das perdas, Aldisio construiu uma história literária fundada na coerência, no rigor literário e espírito crítico. Sua obra é como um espelho estilhaçado em que se reflete o mundo em seu permanente devir”, conclui.

Tenório Telles
“A noção de ‘frêmito’ na poesia de Aldisio Filgueiras é muito mais sociológica do que psicológica, pois a Arte que o desencadeou lançou-se como um impacto contra um determinado tipo de sociedade que acabara por levar o livro de estréia do poeta – Estado de Sítio (1968) – às barras da circulação proibida pela censura militar”.

Anibal Beça
“Eis o grande salto do engenho de verticalidade desse poeta: a partir de seu entorno pessoal, tudo é matéria de poesia. Diga-se, de boa poesia. Aldisio Filgueiras se insere no rol dos poetas que ainda acreditam no verso. E faz dele seu instrumento para construir seu poema. Com ritmo, imagens e idéias”.

Outras Obras de Aldisio:
Malária e outras canções malignas(1976); A República muda (1989); Manaus – as muitas cidades: 1987-1993 (1994); A dança dos fantasmas (2001) e Nova subúrbios (2004), compõem sua obra poética.

 


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