ESPECIAL
  
ARAGUAIA
Entre Soldados e Guerrilheiros


Professor da Ufam lança livro baseado
em fatos vivenciados na Guerrilha


Por Tony Santos


magine-se um jovem estudante do interior presenciando confrontos entre os guerrilheiros do Partido Comunista do Brasil (PC do B) e soldados da tropa do exército brasileiro, em plena ditadura militar. O escritor Antonio Carlos Rodrigues Silva baseou-se em fatos vividos durante o movimento que se passou na região do rio Araguaia, no Pará, no início dos anos 70 e lançou o livro Araguaia – Entre Soldados e Guerrilheiros (Ed. Protexto), no último dia 18 de outubro, na livraria Valer.

Com um texto enxuto, simples, direto e sem deixar de ser envolvente, Antonio Carlos relata sua experiência peculiar da época, usando o personagem “Fabiano” para expor sua visão crítica da história.

Carlos nasceu em Marabá, também no Pará, onde viveu até os 18 anos, costumava passar férias no interior paraense junto aos seus pais, nesse período conheceu alguns personagens da guerrilha.

Segundo ele, as obras que já existem sobre o assunto são mais estatísticas. “Eu quis mostrar essa história com o meu olhar, mais próximo, de quem viveu esse momento de perto. Como quando chegava em casa, e, de repente, não havia mais as pessoas comuns do castanhal e sim militares,” conta.

Para Carlos o livro fala não somente da guerra, mas também das relações vividas por ele. “Escrevi como se fosse uma retrospectiva, com o meu personagem voltando no tempo, me levando para aquele lugar distante e trazendo fortes lembranças, e o Fabiano seria eu mesmo, interagindo com as pessoas e com tudo aquilo que estava acontecendo”, explica.

O cenário
A fazenda onde a família de Carlos morava, simplesmente virou um quartel militar. “Em meu relato, logo no primeiro capítulo, falo sobre uma viagem que faço e vou ao castanhal chamado de abóbora, no Pará. Ali vou criando o cenário e falando sobre o que vivenciei, pessoas que conheci e faziam parte da guerrilha”, conta.

“Eu que costumava chegar no local para descansar, pescar e caçar, acabei tendo que sair de lá. Pois o dia-a-dia do lugar foi se transformando com o movimento do Partido Comunista, momento em que fui me encontrando sobre o que estava realmente acontecendo”, declara.

O autor
Antonio Carlos Rodrigues está em Manaus há 25 anos, formou-se em Arquitetura pela Universidade Federal do Pará em 1983, foi coordenador do curso de arquitetura e urbanismo da Universidade Luterana de Manaus – Ulbra. É mestre em Engenharia de Produção, na área de gerenciamento pela Ufam, atualmente é professor de Design da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

A guerra do Araguaia

O Bico do Papagaio (sudeste do Pará e norte do Tocantins) foi palco da guerrilha organizada pelo Partido Comunista do Brasil. Iniciada em 1972, a repressão militar terminou três anos depois. Segundo historiadores, cerca de 60 guerrilheiros foram mortos pelos militares.


 

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