Tony
Santos - Como começou a sua carreira
artística?
Zezinho Corrêa - Pouca
gente sabe, mas a minha carreira começou
no teatro. Assim que terminei o nível médio,
aos 18 anos, fui tentar o vestibular para Artes
Cênicas, no Rio de Janeiro, passei entre
os cem melhores colocados. Lá, todo mês
havia um teste. Mas o professor, o ator da Globo
Roberto de Cleto, dizia que o meu negócio
era ser cantor e sempre me dava os papéis
que tinham alguma cena musical. Na verdade, isso
foi bom, porque eu fui ganhando experiência
no palco. Então, quando menos esperava,
lá estava eu, soltando a voz.
Tony
– Então foi surpreendente
pra você fazer sucesso como cantor?
Zezinho - Na verdade eu sonhava
em ser um ator de teatro, cinema ou televisão,
jamais imaginava ser um cantor. Mas o Roberto
tinha razão, não teve jeito, o meu
negócio era a música mesmo (risos).
Mesmo assim, devido a problemas familiares, não
pude terminar minha faculdade de teatro no Rio
e tive de voltar para Manaus, foi quando conheci
o Márcio Souza e comecei a fazer parte
do Tesc (Teatro Experimental do Sesc). Porém
a música já fazia parte da minha
vida.
Tony
– Qual sua formação ?
Zezinho
– Depois que eu voltei do
Rio, tentei outro vestibular e fui estudar Pedagogia,
hoje sou especializado em Administração
Escolar.
Tony
– Qual o seu livro
de cabeceira?
Zezinho –
Atualmente estou
lendo um que o título me chamou bastante
a atenção: "Quanto mais difícil
for a pessoa que estiver do seu lado, melhor pra
você". É fantástico,
um livro que te faz questionar o próprio
comportamento por meio das ações
da pessoa que você divide o dia-a-dia.
Tony
–
E um livro de um escritor regional em especial?
Zezinho –
Eu sou fã
do Márcio Souza, não só como
escritor, mas também como teatrólogo,
e tenho na cabeceira da minha cama o "Galvez
–
Imperador do Acre".
Outro que tenho do Márcio Souza, e também
acho muito interessante por estar relacionado
ao teatro do próprio Tesc, chama-se "Palco
Verde".
Tony
–
E na sua
adolescência teve, algum livro que mudou
sua vida?
Zezinho –
Sim! O pequeno Príncipe, até porque
foi o primeiro livro que eu li e nunca esqueci
os seus fundamentos.
Esse
livro marcou a minha vida, eu li quando era criança
e foi o momento em que comecei a gostar da literatura,
pois fala de emoção, da amizade
e da solidariedade. Aquela célebre frase:
"Tu te tornas eternamente responsável
por aquilo que cativas" é, na verdade,
muito forte e é uma realidade. Pois se
você cativou alguém, o carinho, a
confiança, você tem de ter condições
de responder à altura. Um exemplo disso
é o artista que conquista um público.
Há artista que, no auge do sucesso, se
tranca entre quatro paredes e tem medo dos fãs
que ele conquistou, se esquecendo que ele é
o responsável por essa platéia,
então não deve se esconder. Até
hoje, quando ouço a palavra príncipe,
eu volto no tempo.
Tony
–
O que você tem a dizer aos jovens sobre
a literatura?
Zezinho –
O
livro é o melhor professor e bom para a
formação de qualquer cidadão.
O diálogo com uma pessoa é importante,
pois a resposta vem em seguida em forma de uma
opinião particular. Porém te dá
uma continuidade com direito e precisão.
Hoje o jovem está muito ligado ao computador,
à Internet, mas o livro é imprescindível
para o crescimento intelectual.
Tony
–
Falando em Internet, como está a sua
relação com essa mídia?
Zezinho –
Eu tenho tão pouco tempo pra pesquisar.
Mas adoro ler jornal, então aproveito a
Internet para me atualizar e, lógico, conferir
meus e-mails. É realmente a comunicação
do momento e do futuro.
Tony
–
Como você vê a educação
em nosso Estado?
Zezinho –
Isso é um assunto muito complexo, porque
trabalhar com educação é
um compromisso e infelizmente tem pessoas que
só pensam no dinheiro que pode ser ganho
nessa área. Somente com muito trabalho
é que vamos mudar essa situação.
É como essa crise aérea que o presidente
classificou como um câncer. Não adianta
apenas diagnosticar, falar do problema. É
preciso curar. Assim, um administrador, não
só na área da educação,
mas em qualquer área, tem que ser uma pessoa
de ação.
Tony
–
Aproveitando esse momento em que você
está completando 30 anos de carreira, com
experiência no teatro, na música,
e agora com um programa na TV. Qual o conselho
para quem está começando?
Zezinho –
Ser artista não é uma carreira muito
fácil. Portanto, não se empolgue
com o sucesso... Ele é o resultado do bom
trabalho como em qualquer profissão. Então,
se você busca realização com
emoção, trabalhe com a arte, pois
é a profissão que lhe da condição
de ser um eterno aprendiz e a cada dia descobrir
novas coisas.
Tony
–
E Zezinho por Zezinho?
Zezinho –
Ahhhh... (risos). É um cara inquieto, que
gosta de estar trabalhando sempre. Gosta de criar,
ver bons resultados e um trabalho bem produzido.
E, lógico, torce para que as coisas dêem
certo. Uma pessoa que acredita no futuro do nosso
Estado e do nosso País, que é tão
lindo e precisa fazer jus ao seu tamanho com desenvolvimento
e educação para o povo que habita
nele.