1
- Tony Santos – O que o livro Políticas
Públicas traz como proposta?
Wallace
Meirelles – Gostaria de mostrar
uma nova forma de pensar a política de
desenvolvimento no país com base na inclusão
socioterritorial.
2
- Tony – Quando o senhor achou que sua
análise poderia ser um livro?
Wallace
– Após eu ter vencido o
prêmio Amazonas/Roraima de Economia do Conselho
Regional de Economia (Corecon), em 2003, e minha
pesquisa ganhou notoriedade.
3
- Tony
– Qual o direcionamento básico
de sua obra?
Wallace
– O conteúdo do meu livro
é voltado para o desenvolvimento das atividades
econômicas, sociais e ambientais dos municípios
amazônicos. Um estudo baseado na análise
das relações rurais e urbanas. Podendo
ser utilizado nas áreas de Economia, Administração
e Direito.
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- Tony
– O senhor pode fazer uma síntese
do conteúdo?
Wallace
– O livro está dividido
em 3 capítulos: O primeiro faz uma análise
da política nacional e regional. Aprofundando
a discussão quanto às políticas
do Estado do Amazonas nos últimos 40 anos.
Já no segundo capitulo são discutidos
os fatores que levaram a uma retração
da atividade econômica e social do interior
do Estado nos últimos anos, como fatores
ambientais, a crise dos principais produtos agrícolas
e extrativos do interior do Amazonas. E o terceiro
aponta uma proposta de desenvolvimento municipal
utilizando como estudo de caso o município
de Parintins.
5
- Tony
– Como é feita essa análise?
Wallace
– A partir das comunidades rurais,
observando as necessidades sociais de educação,
saúde, saneamento e economia a partir do
empreendedorismo e das cadeias produtivas locais.
Além das políticas públicas
em nível federal ou nacional, e do Estado
do Amazonas nos últimos 40 anos.
6
- Tony
– E a ilha de Parintins, como entra
nessa história?
Wallace
– Em primeiro lugar, Parintins
é minha cidade natal e esse trabalho eu
iniciei desde minha época de estudante.
Quando comecei a observar a atividade produtiva
e econômica no contexto geral, dentre elas
o Festival de Parintins.
7
- Tony
– Como foi feita sua análise
das políticas públicas?
Wallace
– Eu faço observações
a partir do Plano Bienal de Arthur Reis nos anos
60 até o “Zona Franca Verde”,
de Eduardo Braga. Outra parte do livro levanta
os problemas enfrentados pela economia do interior
do Estado do Amazonas e finalizo o estudo com
uma proposta de desenvolvimento baseada no planejamento
municipal, utilizando Parintins para exemplificar
esse processo.
8
- Tony
– E como seria feito esse plano?
Wallace
– Quanto ao Plano, todo o estudo,
planejamento, execução, avaliação
e controle deve se basear no levantamento das
necessidades locais dos municípios. Analisando-se
o ambiente urbano e rural, com seus arranjos produtivos,
seus estágios de organização
social e de empreendedorismo para se implantar
o “microplanejamento” que inclui a
produção, o transporte, a comunicação
e o comércio. Além de melhorias
na educação, saúde, saneamento
e segurança, tanto para a zona urbana quanto
para a zona rural dos municípios. Após
o levantamento e planejamento municipal, existe
a necessidade de se verificar os fluxos intermunicipais
para determinar as relações econômicas,
sociais e políticas no macroplanejamento
dentro dos Estados brasileiros.
9
- Tony
– O senhor pode citar um desses projetos?
Wallace
– Sim, o Programa “Zona Franca
Verde”, por exemplo, poderia realmente desenvolver
a situação atual das comunidades,
não de uma forma isolada, mas sim como
um todo. Desta forma, uma das maiores deficiências
dos programas governamentais de desenvolvimento
das últimas décadas tem sido a falta
de políticas que sejam eficientes, práticas,
não paliativas, assistencialistas e que
atinjam lugares distantes e discriminados por
políticas públicas estaduais, municipais
e do governo federal.
10
- Tony
– O senhor poderia apontar algumas soluções?
Wallace
– O grande desafio será
vencer as diferenças regionais, econômicas,
corrupção e/ou incompetências
políticas na elaboração,
organização, implementação
e controle de um grande plano nacional de desenvolvimento.
Mesmo no PAC, verifica-se uma exacerbada tentativa
de estimular o crescimento econômico centrados
em alguns segmentos dentro de alguns setores da
economia brasileira, o que indica que alguns setores
e economias periféricas vão acabar
sendo discriminados.
11
- Tony
– E como seria o Plano Nacional?
Wallace
– Ele deve ser resultado do trabalho
conjunto entre os governos estadual, municipal
e federal, assim como também deve envolver
a sociedade, as organizações não-governamentais,
empresas e demais organizações privadas,
com o objetivo de unir forças e ações,
utilizando recursos humanos, administrativos,
técnicos, financeiros e orçamentários
de forma integrada e sistêmica. Assim, um
plano de desenvolvimento deve ser não a
personificação do presidente, ou
dos governadores, ou dos prefeitos, mas de um
grande arranjo institucional e de parcerias, algo
que hoje é quase inconcebível.
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- Tony
– Uma palavra final...
Wallace
– É necessário
repensar o rumo de nossa estrutura socioeconômica;
neste contexto, as ações governamentais
podem gerar grandes impactos no sentido de promoção
do desenvolvimento do país. O ortodoxismo
econômico foi eficiente no combate à
inflação e pagamento da dívida
pública, mas cortou o fluxo necessário
de investimento em portos, aeroportos, rodovias,
ferrovias, pesquisa e tecnologia, importantes
para expansão das atividades produtivas.
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Wallace Meirelles
Pinheiro, 36, natural de Parintins
(AM), economista, especialista em Recursos
Humanos e mestre em Desenvolvimento Regional.
Atualmente é o economista do Departamento
de Licitação e Contrato
da Manaus Energia. Também é
professor do Centro Universitário
Uninorte.
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O lançamento do livro Políticas
Públicas está previsto para
o dia 15 de março,
na Livraria Valer.
E-mail:
wllmeirelles@uol.com.br
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