Há
aproximadamente cinco anos a paulista Vera do Val chegou
em Manaus, veio para trabalhar a convite de um amigo,
se encantou e por aqui foi ficando. Começou a escrever
depois que fincou morada pras bandas de cá. Em
2004 resolveu enviar um conto para o Sesc-SP e foi selecionada
para a Oficina Literária coordenada pelo escritor
João Silvério Trevisan. Daí não
parou mais de escrever. Foram prêmios literários
em Minas Gerais, São Paulo e Paraná, além
de publicações em várias revistas
literárias on-line, como o Cronópios, o
Caixote, Portal Literal, Blocos, Meio Tom, etc.
Mas
foi em 2007 que Vera arriscou para ganhar, jogou a "isca"
e acabou assinando contrato com uma editora em São
Paulo. "Tive sorte. Mandei meus primeiros originais
num impulso. Foi por e-mail, sem apresentação
nenhuma, com a cara e a coragem. Bati timidamente nas
portas do mercado editorial, e para minha surpresa elas
se abriram", diz animada.
No mesmo ano quatro livros seus foram lançados
em São Paulo, dois adultos e dois infanto-juvenis.
"Eu nem acreditava que tivesse êxito. Todos
sabemos das dificuldades para conseguir publicar um livro
numa editora de grande porte. Mas 30 dias depois que eu
havia mandado meu trabalho, assinei meu primeiro contrato
com a Editora Martins Fontes", conta.

A vida em Manaus
A escritora também está tendo um bom reconhecimento
na capital manauara. Recebeu dois prêmios literários
em 2006 e em 2007, pelo Conselho Municipal de Cultura.
"Foi muito importante para mim, porque me fez um
pouco amazonense e estou orgulhosa disso", revela.
Para Vera, Manaus é uma cidade que recebe bem os
“chegantes”, sua população é
cordial, afetiva e empreendedora. "Há muito
trabalho ainda a fazer aqui, principalmente no que se
refere à literatura. Mais bibliotecas, mais empenho
do poder publico em incentivar a leitura, instrumentalizar
nossas crianças”. E ainda alerta: “Só
se constrói cidadania através da intimidade
com os livros. A cidade que produziu um Milton Hatoum,
para mim dentre os melhores escritores brasileiros vivos,
respeitado aqui e lá fora, não pode reclamar
muito. Tem é que se orgulhar". comenta.
Suas obras
Tanto sua literatura juvenil quanto a adulta, está
voltada para o universo amazônico. O livro Imaginário
da floresta, por exemplo, trata das lendas indígenas
da região. "Foi uma pesquisa intensa e prazerosa,
e é dedicado aos curumins de São Gabriel
da Cachoeira, cidade trágica e de grandes contrastes",
diz.
Outro
livro que mostra o carinho de Vera pelo Amazonas é
o Histórias do Rio Negro (2006), vencedor do prêmio
Arthur Engrácio. Nele, Vera expõe de forma
bastante clara sua visão crítica e sensibilidade
de artista. "O rio Negro é o mais bonito do
mundo. Falo sobre essa magia, a força do rio, sua
imponência e esplendor incomparáveis. Sou
paulista, amo meu Tietê. Mas quem viu o Negro nunca
mais vai esquecer. Ele é único", exclama.
Projetos
O livro Criação do mundo e outras histórias
será lançado em maio na Feira do Livro Infanto-Juvenil,
no Rio de Janeiro. Histórias de bichos brasileiros
está no prelo pela Editora Martins Fontes, e deve
ser lançdo em agosto, na Bienal do Livro em São
Paulo.
O
olhar sobre Manaus
Para Vera, nossa capital precisa de mais espaços
e eventos literários. "Toda cidade de porte
hoje em dia tem uma Bienal do Livro. Por que aqui ainda
não? Eu conheço o professor Renan e o Tenório
Telles, dois heróis que lutam em favor da literatura,
mas deve haver muitos outros. Precisamos de bibliotecas,
oficinas literárias, uma Feira do Livro e motivar
a população para ler. Hoje, o manauense
sai de casa para ir ao Largo ver cinema, jazz, ópera.
Por que não iria atrás de um bom livro?
Penso que está na hora de nos aliarmos", conclui.
Livros
publicados

Águas
Rubras e Jogo de intrigas – Ed. Escala,
SP – 2005
O imaginário da floresta –
Ed. Martins Fonte, SP – 2007
Histórias do Rio Negro –
Ed. Martins Fonte, SP – 2007
Os filhos do marimbondo – Projeto
Dulcinéia Catadora, SP – 2007
Do nada ao infinito – Projeto Dulcinéia
Catadora SP – 2007
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