Tony
Santos – Como
é trabalhar direito e questões ambientais?
Terezinha Soares – Complicado
e gratificante. É que na verdade tudo está
interligado, uma coisa puxa a outra. A questão
ambiental faz parte do ponto de vista do Direito
Ambiental. Basta observar que existe não
só o aspecto ambiental, mas também
o aspecto legal.
Tony – Como
está a Legislação Brasileira
sobre aspectos ambientais?
Terezinha – A Legislação
Ambiental Brasileira é avançada
em relação a outros países,
mas precisa ser respeitada. Até porque
se o direito fosse respeitado, ninguém
precisaria aplicar as leis para alguém
andar na linha. O Brasil tem suas leis, mas na
prática é complicado para funcionar
devido a desarticulações.
Tony – A
senhora
indica no livro fórmulas para esse controle?
Terezinha – Eu não
digo no livro como o Brasil deve controlar, mas
indico as leis que existem, e na prática
não são respeitadas. Porque o controle
efetivo que deveria ser feito pelo governo ou
instituições, também não
acontece. A emissão dos gases que aumentam
o efeito estufa continua acontecendo com o desmatamento,
pois não há um controle efetivo
das queimadas ou derrubada de árvores na
Amazônia.
Tony
– E como funciona a fiscalização
na Amazônia?
Terezinha – O Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) tem um
grande projeto, o Prodes, que sabe de tudo sobre
o desmatamento na Amazônia, mas não
pode impedir que ele aconteça. Isso é
coisa para o Ibama, e os órgãos
ambientais estaduais, mas falta infra-estrutura:
barcos, aviões, fiscais etc.
Tony – O
controle do desmatamento não acaba afetando
o tráfico de madeiras?
Terezinha – Esse deveria
ser o objetivo, frear, impedir as ações
ilegais. Basta lembrar que, quando acontecem as
grandes operações, quem vai pra
lá é a Polícia Federal. Além
disso, existe a corrupção muito
noticiada pela imprensa. É também
uma questão econômica, pois o comércio
ilegal não gera impostos. A Toda hora aparecem
nos jornais empresas que exploram madeira com
documentos falsos.
Tony
– Também não seria um
problema social? Já que pequenos produtores
vem de outras localidades para a Amazônia
e queimam árvores para fazer plantações?
Terezinha – Sim, até
porque os pequenos são muitos. Na verdade,
no Estado do Amazonas a derrubada da floresta,
em relação a outros Estados, ainda
é pequena. São apenas 2% do território
afetado. Mas o grande desmatamento que está
acontecendo mesmo é no Mato Grosso, em
Rondônia e no Pará, onde o acesso
por terra é muito mais fácil. Existe
até uma estrada chamada de "corredor
da madeira", a BR – 150 e também
a BR 163 que liga Santarém a Cuiabá,
onde já houve mais de 150 madeireiras.
Isso se sabe, porém não há
fiscalização local. Essa área
da Amazônia, conhecida como "Arco do
Desflorestamento", vai de Rondônia
ao Maranhão.
Tony – Como
está a situação do Brasil
nesse processo?
Terezinha – O
nosso país é parte dos que assinaram
a Convenção Quadro das Nações
Unidas sobre Mudança do Clima. E as autoridades
precisam controlar o desmatamento na Amazônia,
porque essa é a nossa maior contribuição
para aumentar o aquecimento global. Na “Eco
92", realizada no Rio de Janeiro em 1992,
esse documento, que já vinha sendo discutido,
foi assinado por 186 países, reconhecendo
a necessidade de tomarem atitudes para controlar
o aquecimento global. O Brasil foi o primeiro
país a assinar a Convenção.
Tony – Essa
convenção definiu ações
e obrigações a cada país?
Terezinha – Sim, é
como um contrato, de aluguel, por exemplo: eu
assino, lhe permitindo morar em meu imóvel
o tempo necessário, e você assina
se comprometendo morar e cuidar do local. Assim
é a Convenção do Clima, cada
país se comprometendo de alguma forma a
ajudar a controle o aquecimento global.
Tony
– E como o seu livro questiona esse
contexto?
Terezinha – Sob a orientação
do professor Niro Higuchi, pesquisador do INPA,
o que fiz foi analisar até onde o Brasil
se comprometeu e o que está sendo feito
do prometido, principalmente no que se relaciona
aos cuidados com a Amazônia.
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TEREZINHA
SOARES
Trabalhou durante 16 anos na assessoria de comunicação
e assessoria jurídica do INPA, fez mestrado
em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade
na Amazônia, também foi professora
de graduação em Comunicação
e Direito. Atualmente faz assessoria de comunicação
para empresas.