:: ENTREVISTA: MARIA DOLORES

Fotos: Heitor Lopes

Dolores e o gênio Milton Nascimento

A jornalista Maria Dolores lançou no dia 29 de novembro, em Manaus, o livro Travessia, a biografia do cantor Milton Nascimento. Dolores, nascida em Três Pontas (MG), cidade onde o cantor também mora desde a infância, disse que esse projeto nasceu de um livro-reportagem para a conclusão do curso de jornalismo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Notou, durante a pesquisa, que Milton tinha uma história com a força das grandes personalidades. Uma biografia. Ela e Caetano Veloso (o texto da orelha do livro é dele) tratam Milton Nascimento como um gênio da música popular brasileira. Confira a entrevista que ela concede ao site da Câmara Amazonense do Livro e Leitura (Call).


 

Call – A senhora e o Caetano Veloso tratam Milton Nascimento como um gênio. Isso
não é um problema para quem se propõe a escrever uma biografia?

Dolores – Não foi problema. O que eu tentei mostrar, mesmo, é que ele é um gênio da música. Então é isso que eu tentei fazer no livro. Como eu não entendo nada de música, não tinha como fazer uma análise musical. O que eu fiz foi contar a história dessas músicas, a história dos discos, como essas coisas aconteceram. Então, o meu foco foi contar história, e, através dessas histórias, eu vou mostrando que ele é um gênio mesmo. Um gênio da música, é isso que eu tento fazer. Mas isso é uma coisa que flui dele, E isso tento reconstruir através da história. Acho que isso não foi um problema.

Call – Há contextualização política na sua abordagem?

Dolores. Conto a história dele como se fosse um romance. Não tento fazer uma análise nem a construção de alguma coisa, e aí trato de todas as questões, como a política, a ditadura, como ele apoiou as diretas. Mas trato tudo como se fosse uma história, não pego uma questão e trato aquela questão (especificamente). Eu tentei fazer um romance mesmo.

Call – De onde vem a inquietação para a realização desse trabalho: da fã ou da jornalista interessada em simplesmente fazer uma boa reportagem?

Dolores – Minha história é um pouco diferente. Sou da mesma cidade que ele. Começou com o meu trabalho de conclusão de curso. Não era para ser uma biografia. Tinha de ser um tema da minha cidade, e eu escolhi ele como tema. Minha intenção inicial não era fazer uma biografia, era fazer um livro-reportagem sobre o Milton em Três Pontas. Aí eu comecei a pesquisar e vi que ele tinha uma história uma história que não tinha sido contada. Por que ninguém ainda escreveu isso?

Call – E o retorno é compatível com a expectativa relacionada ao de de um gênio?

Dolores. Nossa! É muito superior. Eu sabia que o livro ia ser procurado, por ele ser o ídolo de muita gente, mas eu acho que está superando todas as expectativas. O retorno está muito bom. Muita gente está gostando do livro. Nossa! Eu estou me sentido assim: a artista de cinema. Acho que tentei fazer de
acordo com ele, mas é uma responsabilidade muito grande. Não sei se consegui.

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