Call
– A senhora e o Caetano Veloso tratam Milton Nascimento
como um gênio. Isso
não é um problema para quem se propõe a
escrever uma biografia?
Dolores – Não foi problema. O
que eu tentei mostrar, mesmo, é que ele é um gênio
da música. Então é isso que eu tentei fazer
no livro. Como eu não entendo nada de música,
não tinha como fazer uma análise musical. O que
eu fiz foi contar a história dessas músicas, a
história dos discos, como essas coisas aconteceram. Então,
o meu foco foi contar história, e, através dessas
histórias, eu vou mostrando que ele é um gênio
mesmo. Um gênio da música, é isso que eu
tento fazer. Mas isso é uma coisa que flui dele, E isso
tento reconstruir através da história. Acho que
isso não foi um problema.
Call – Há contextualização
política na sua abordagem?
Dolores. Conto a história dele como
se fosse um romance. Não tento fazer uma análise
nem a construção de alguma coisa, e aí
trato de todas as questões, como a política, a
ditadura, como ele apoiou as diretas. Mas trato tudo como se
fosse uma história, não pego uma questão
e trato aquela questão (especificamente). Eu tentei fazer
um romance mesmo.
Call
– De onde vem a inquietação para a realização
desse trabalho: da fã ou da jornalista interessada em
simplesmente fazer uma boa reportagem?
Dolores – Minha história é
um pouco diferente. Sou da mesma cidade que ele. Começou
com o meu trabalho de conclusão de curso. Não
era para ser uma biografia. Tinha de ser um tema da minha cidade,
e eu escolhi ele como tema. Minha intenção inicial
não era fazer uma biografia, era fazer um livro-reportagem
sobre o Milton em Três Pontas. Aí eu comecei a
pesquisar e vi que ele tinha uma história uma história
que não tinha sido contada. Por que ninguém ainda
escreveu isso?
Call
– E o retorno é compatível com a expectativa
relacionada ao de de um gênio?
Dolores. Nossa! É muito superior. Eu
sabia que o livro ia ser procurado, por ele ser o ídolo
de muita gente, mas eu acho que está superando todas
as expectativas. O retorno está muito bom. Muita gente
está gostando do livro. Nossa! Eu estou me sentido assim:
a artista de cinema. Acho que tentei fazer de
acordo com ele, mas é uma responsabilidade muito grande.
Não sei se consegui.
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