Tony
Santos – O ciclo econômico,
auge e declínio da produção
da borracha seriam as principais características
de sua obra?
Marco
Adolfs - Sim. O livro trata desse
momento econômico.
Tony
- O seu livro LÁTEX trata de três
histórias distintas ou elas se costuram
criando uma unidade?
Adolfs - São três
histórias distintas, sim. Mas é
impossível dissociar-se da temática
geral do livro, que é a questão
do ciclo econômico da exploração
do látex na Amazônia. É claro
que a primeira história é um exercício
livre de ficção; até absurda.
Mas, nos capítulos que perpassam o restante
da obra, justifico a ficção existente
com a narração da crua realidade
de fatos acontecidos naquele tempo, inclusive
com um caso verídico, que foi o naufrágio
do vapor Paes de Carvalho, em 1926.
Tony
- Qual a relação de sua
obra com o cotidiano da época, a Belle
Époque?
Adolfs - Uma relação
inevitável, já que parte do livro
se passa naquele sonho de uma época boa
na aparência de fastígio e na ganância
dos homens.
Tony
- Para o senhor qual é a ligação
entre o jornalismo, a literatura e o cinema?
Adolfs - A da imagem. Trabalha-se
sempre com imagens: reais, oníricas ou
inventadas. Numa captação constante
de idéias que geram idealizações
ou fotografias de uma realidade.
Tony
– Antes de escolher o gênero
literário deste livro, o senhor pensou
em escrevê-lo como um roteiro?
Adolfs - O roteiro está
saindo do romance. Estou adaptando e trabalhando
nele e espero, quem sabe, vê-lo um dia em
um cinema como uma produção de nossos
cineastas.
Tony
– Se na época da grande oferta
de borracha feita pelos asiáticos o governo
tivesse se empenhado para agilizar nossa forma
de extrair o látex, o senhor acredita que
nossa região poderia ter tomado rumos diferentes
em relação aos grandes centros econômicos
do País?
Adolfs - Sim. Mas não foi
o que aconteceu e, então temos apenas que
lamentar o látex derramado junto com o
sangue de tantos heróis dessa produção
econômica e desse delírio coletivo.
Tony
– Vejo em sua obra, bons questionamentos
para quem estuda economia, história e marketing.
O senhor acha que seu livro está direcionado
para que público?
Adolfs - Pode ser analisado nesse
sentido. Uma obra, seja ela qual for, pode mostrar
muitos caminhos.
Tony –
Como o senhor vê a atual situação
da literatura amazonense?
Adolfs - Boas edições
locais, mas pouco incentivo no que diz respeito
à revelação de novos escritores,
seja por meio de bolsas, projetos ou concursos
literários.
Tony –
Quais os seus autores preferidos?
Adolfs
- Olha, sempre li muito e muitos. Para citar alguns,
gosto de Kafka, Kundera, Sam Shepard, Llosa e
do Márcio Souza, que muito me influenciou
na questão da abordagem histórica.
Tony
- O senhor está escrevendo algum
livro atualmente?
Adolfs - Sim. Estou trabalhando
em um romance histórico sobre a construção
de nossa Catedral e, também, em um livro
de contos.
*Marco
Adolfs
Formado
em jornalismo, é roteirista, produtor
e diretor. Trabalha atualmente na TV Cultura
do Amazonas, onde produz documentários
sobre temas regionais e sociais
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