Tony Santos – Como surgiu a idéia de escrever
esse livro?
Carlos
Machado
– Embora
eu tenha resolvido começar a fazer algumas anotações
durante uma viagem que fiz, e que resultou na idéia
do livro, esta é uma obra de ficção.
Nem todos os lugares que eu descrevi estavam ou está
como é retratado no texto. Durante a viagem ou no
carro mesmo eu ia escrevendo algumas coisas.
Tony
– Quem fez parte dessa viagem?
Carlos
– Eu, dois amigos e um primo. Fomos de carro, um roteiro
praticamente programado. Tinha apenas um mês para
fazer essa viagem, então estipulamos as capitais
que íamos visitar. Ficamos em hotéis simples,
porém confortáveis. No meio da viagem ficou
algo meio indefinido, mas, Montevidéu e Santiago
faziam parte do roteiro.
Tony
– Porque colocar Curitiba
sempre em comparação com outras partes do
continente?
Carlos
– A
proposta é essa: mostrar o que Curitiba tem de contraste
com outros locais.

Tony
– No livro o senhor destaca
Chico Buarque, Noel Rosa, Lenine e outros cantores. Eles
fazem parte do seu gosto musical?
Carlos
– Uma
coisa que eu gosto de fazer é misturar cinema, literatura
e música. Você pode observar que no texto existe
a idéia da mudança de ângulos, como
uma mudança de câmera, as músicas entram
como se fosse uma trilha. O livro ficou parecido com um
roteiro e as músicas são muito importantes
como pano de fundo.
Tony
– Então o senhor
pretende levar essa história para os cinemas?
Carlos
– Na
realidade eu quero passar essa idéia das imagens
na literatura mesmo. Mas, se acontecesse de transformar
num filme, seria ótimo. (risos)
Tony
– Este seu livro seria um homenagem à cidade
de Curitiba?
Carlos
– Não.
Na realidade, Curitiba está sempre em meus livros,
é como se fosse um personagem que vai se transformando.
Em cada livro um olhar, uma forma de comparar um novo lugar
com o modelo do que me agrada em Curitiba, e, quando eu
chego das viagens Curitiba já não é
mais a mesma. Sempre uso Curitiba como meu modelo.
Tony
– Em alguns trechos o senhor
cita o uso de câmera fotográfica. Mas, por
que não usou fotos ou ilustrações?
Carlos
– Bom,
a idéia é esta: usar a foto literária
para que o leitor possa ter liberdade de imaginar as cenas.
Tony
– O senhor compara os lugares quentes por onde passou
com o frio curitibano. Como está sendo sua passagem
por Manaus?
Carlos
– Muito
quente! A cidade é bonita, as pessoas são
agradáveis. Se não fosse tão quente
receberia até mais turistas. Eu sempre estou citando
em meus livros as cidades por onde passo, e Manaus, provavelmente
fará parte do meu próximo trabalho.
Tony
– Como escritor qual sua
visão sobre a Cultura no País?
Carlos
– Eu
acredito que não existe um artista que esteja ao
mesmo tempo em todos os canais midiáticos. Na realidade
estão em busca de portas e selos alternativos. Os
músicos, por exemplo, estão em busca de gravadoras
mais simples, com um trabalho mais barato. Os escritores
atrás de editoras mais receptíveis. A minha
editora, não é tão grande, mas possui
qualidade. A questão é o consumidor aceitar
o que tem de bom ou de ruim, o que estão lançando
na Internet, nas gravadoras, temos de aprender a selecionar
e interpretar.
Tony
– O senhor já pensou em lançar um e-book?
Carlos
– Já
pensei, mas não gosto muito. Sou um romântico
e ainda acredito no livro impresso. Mesmo que seja de contos
eu ainda prefiro lançar no papel.
Tony
– Em sua visão de cantor,
o senhor concorda com as músicas que são distribuídas
na Internet e fazem sucesso antes de estarem num CD?
Carlos
– No
Paraná um jornalista fez certo comentário: "...hoje
em dia todo mundo virou músico, todo mundo virou escritor,
basta fazer ou comprar e lançar na Internet".
Eu acho ótimo. Todo mundo tem o direito de tentar,
depende do público em aceitar ou não.
Tony
– Em sua opinião
baixar o preço dos livros ajuda na formação
de novos leitores?
Carlos
– Não.
O leitor quando não tem dinheiro vai à biblioteca
pública, vai à casa de um amigo. Corre atrás.
Tony
– O que o senhor acha que poderia ser feito para melhorar
o incentivo à leitura?
Carlos
– Veja
o exemplo do sucesso do Harry Potter: quando eu dava aula
para turmas do ensino médio, alguns alunos levavam
esse livro para a escola e ficavam lendo no intervalo. Por
ser uma leitura fácil, torna-se agradável.
Em seguida, talvez a maioria deles passasse a ler textos
mais complexos. Mas não dá pra colocar uma
criança para começar lendo logo um Machado
de Assis.
Tony
– O senhor tem idéia
de um tipo de leitor específico para o seu livro?
Carlos
– Eu
não quis fazer uma coisa muito acadêmica, nem
fiz com muitas páginas. Prefiro que seja um livro
agradável de ler. Isso para mim é o mais importante.

Carlos
Machado é curitibano, 29 anos, formado em Letras pela
UFPR, pós-graduado em administração escolar
pela FAE, foi professor de literatura brasileira e língua
inglesa no colégio Bom Jesus em Curitiba.