Tenório Telles

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Biografia / Bibliografia

Tenório Telles nasceu no dia 2 de setembro de 1963, às margens do rio Purus, numa localidade chamada São Tomé. Aprendeu as primeiras letras na escola comunitária da Costa do Cabaleana, município de Manacapuru, onde também aconteceu o seu despertar para a literatura, quando deparou com os primeiros livros e ilustrações, cujo sentido ainda não conseguia decifrar, mas que já lhe aguçaram a curiosidade. Chegando a Manaus, continuou seus estudos no grupo escolar Ouvidor Sampaio, no qual concluiu o primário. No colégio Senador Cunha Melo, concluiu o ginásio e no Normal Ajuricaba, o ensino médio.

É licenciado em Letras (1989), com habilitação em Língua Portuguesa, pela Universidade Federal do Amazonas, onde também bacharelou-se em Direito, em 1996. Porém, foi sua paixão pela literatura que o fez trilhar os caminhos da poesia, da dramaturgia, da crítica literária, do magistério e do trabalho de “semeador de livros”. Primeiros fragmentos, seu livro de estréia, de produção independente, foi publicado em 1988. Em seus versos iniciais já se esboçava seu comprometimento social em questionar a realidade da condição humana num meio que oprime o ser humano e o afasta de suas raízes e de seus sonhos.

É como pesquisador incansável e crítico literário que, ao longo dos anos, produziu trabalhos sobre literatura brasileira e regional. Em 1995, é publicado Estudos de literatura brasileira e amazonense (crítica literária) e, no ano de 1996, o livro de ensaios Leituras críticas. Além disso, tem colaborado em diversos órgãos de imprensa, como o jornal Amazonas em Tempo e, especialmente, em A Crítica, publicando textos de análise literária de obras de autores brasileiros, especialmente amazonenses. Todo esse aprofundamento na literatura contribuiu para a realização de seu mais antigo projeto: o CD-ROM Amazonas em sua literatura, lançado em 1996, no qual faz um importante estudo sobre os poetas e prosadores do Amazonas.

As peças A derrota do mito e A rebelião do soldado o inserem no campo da dramaturgia. A primeira, escrita em 1996, foi encenada pela Jiquitaia Produções, com três temporadas nas quais houve grande receptividade do público. Em A rebelião do soldado, ainda não encenada, envereda pelos meandros do poder político, revelando as conseqüências das vaidades e do descaso dos governantes com o povo. Ambas as peças tratam de temáticas bastante atuais.

Mas não se poderia deixar de registrar a sua maior e, talvez, a mais recompensadora contribuição para a sociedade: o seu trabalho como professor de Língua Portuguesa e Literatura e como editor. Ultrapassando todos os obstáculos da profissão, exerce o magistério com entusiasmo, mantendo o compromisso com seus alunos de despertar uma visão crítica e transformadora, de contribuir para que sejam agentes construtores de uma sociedade mais justa e que valorize a nossa cultura. E, finalmente, deparamo-nos com o editor, que (ao lado de Isaac Maciel), junto à Editora Valer, desenvolvem projetos que só vêm ampliar o cenário literário amazonense, resgatando obras e descobrindo novos autores.

A 26 de outubro de 2001 tomou posse na Academia Amazonense de Letras, ocupando a cadeira N.º 16.


Formação Acadêmica
– Licenciado em Letras (com habilitação em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira e Portuguesa) – Universidade do Amazonas (1989)
– Bacharel em Direito – Universidade do Amazonas (1996)


Trabalhos Publicados
– Primeiros Fragmentos (poesia) – 1988 (edição independente)
– Estudos de Literatura Brasileira e Amazonense (ensaio) – 1995. Edição: Curso Atual.
– Leituras Críticas (ensaio) – 1996. Edição: Objetivo.
– O Amazonas em Sua Literatura (CD-ROM) – 1996. Produção: Fucapi/Funarte.
– Antologia do conto amazonense – 2003. Edição: Editora Valer.
–Poesia e poetas do Amazonas – 2003. Edição: Editora Valer.
– O Anjo cético e o sentimento do mundo – 2003. Edição: Editora Valer e Gráfica e Editora Silva.
– Introdução à literatura brasileira – 2003. Edição: Editora Valer.
– Textos que edificam (Antologia) – 2003. Edição: Editora Valer.
– Estudos de literatura do Amazonas – 2004. Edição: Editora Valer.

Montagem Teatral
– A Derrota do Mito – Montagem: Jiquitaia Produções. Direção Théo Corrêa. Em cartaz de 1997 a 1999 – No Centro de Artes da Universidade do Amazonas.

 

 

:: Textos e poemas ::

Canção da esperança

Neste tempo desolado
de sonhos subtraídos
e utopias amortalhadas
– ergo este canto para celebrar
a esperança entressonhada.

Neste tempo de partos sem flores
de silêncio e de almas violadas
– ergo este canto para celebrar
a semente que arde em luz.

Neste tempo de vidas fraturadas
de olhos imantados e corações ressecados
– ergo este canto para celebrar
a inocência e o brilho da infância.

Neste tempo de morte e de sombras
de guerras e de campos devastados
– ergo este canto para celebrar
a vida e os que tombam pela liberdade.

Contra toda desesperança.
Contra toda cegueira e emudecimento.
Contra toda indiferença.

– Ergo este canto para celebrar
a manhã, os rios,
as florestas e seus enigmas.

– Ergo este canto para celebrar
os pássaros – suas cores e cantos,
as flores, o ser humano e a utopia
e também os olhos da amada.

É para vós
este canto de esperança
– que mesmo sendo pranto –
se eleva como música luminosa.

É para vós
este canto de exaltação
– que floresça em vossos olhos
– que se faça verdade em vossas bocas
e nasça como verdade em nossas vidas.

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Salexistência

Salário

Sal

salga meus sonhos
meus olhos

Sal

que fere
minhas chagas
salmouradas
salgada existência

A vida por um salário
salexistência

O sal da terra
salga-nos os ossos.

( Primeiros fragmentos)

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Destino

Para te saudar
a manhã luminosa
derrama sua torrente de cores

Fiapos áureos
são tecidos pelas horas
e o tempo com seu olhar fosforescente
esculpe teu rosto terno

A vida é uma tapeçaria
de acontecimentos
e circunstâncias cotidianas

Como um quadro
que se inscreve na memória
teus dias e destino se desenrolam

Nessa travessia
em que tudo se esvai
só a lembrança que guardo de ti
há de ficar – como a borboleta amarela
que pousava nos arbustos
que margeavam os caminhos da infância

Que possas levantar
as velas do teu barco
e que os ventos protetores
te conduzam para águas calmas
e possas cumprir tua geografia de sonhos

Esperarei o retorno de tuas viagens
as notícias de um tempo
feliz para o homem

os relatos dos teus triunfos
teu canto temperado pelo mar
e as dores purgadas sob o furor dos ventos

Que o teu destino se cumpra
e possas chegar à outra margem
onde encontrarás as miragens que te seduziam

E então saberás que estão em ti
os tesouros
que buscaste.