Nasceu
no Rio de Janeiro a 6 de agosto de 1956. Veio para Manaus ainda
criança, tornando-se mais um amazonense por adoção.
Desde menino, a literatura e o cinema lhe despertaram fascínio,
o que acabou por levá-lo a trabalhar com textos e vídeos.
Estréia na literatura com o romance “LÁTEX”,
já em terceira edição. Um livro que discorre
sobre uma época relevante para o Amazonas e para o mundo,
com a queda da produção da borracha. Nele, o autor
escreve sobre vidas que foram marcadas pela busca de um futuro
melhor, enfrentando sacrifícios, delírios e tragédias.
Em “LÁTEX” a história do Amazonas se
faz em meio aos seringais, à ficção e à
realidade, em duas estórias trágicas. Uma bem real:
o naufrágio do vapor Paes de Carvalho. E a outra versando
sobre um índio que enlouquece em um seringal.
MARCO ADOLFS foi
também um dos ganhadores da “BOLSA FUNARTE DE ESTÍMULO
Á CRIAÇÃO LITERÁRIA 2007-2008”,
em âmbito nacional. O escritor concorreu com o romance “A
IGREJA”, uma estória sobre a construção
de um templo no extremo norte do Brasil em meados do século
XIX na então cidade de Nossa Senhora da Conceição
da Barra do Rio Negro.
A seleção
das obras concorrentes foi realizada por uma COMISSÃO DE
05 (CINCO) ESPECIALISTAS NA ÁREA DA LITERATURA, SENDO UM
DE CADA REGIÃO DO PAÍS.
Formado
em jornalismo, MARCO ADOLFS escreve resenhas literárias
e contos para este site e produz documentários na TV Cultura
do Amazonas, onde trabalha. Nas horas vagas, procura escrever
mais um romance.
SINOPSE DO LIVRO “A IGREJA”
“A igreja
é a nossa Matriz, a Catedral Metropolitana de Manaus, reconstruída
após um incêndio acontecido em 1850. Uma obra que
levou dezenove anos para ser concluída. A demora na construção
da igreja sempre revelou dificuldades de toda ordem, como: falta
de dinheiro, materiais e escravos, além de conflitos político-religiosos,
como o enfrentamento de presidentes provinciais contra movimentos
messiânicos no alto Rio Negro.
Mas o romance
tem como ponto chave, uma misteriosa garrafa encontrada entre
as paredes da igreja durante o último restauro, com uma
mensagem escrita em 1862, deixada em seu interior por um oficial
de pedreiro de nome Francisco Canejo.
Com muita história pesquisada, mas também entremeada
com alguma ficção rocambolesca necessária,
o livro mistura, seriedade, humor e mistério na dose certa
para o novelo da trama desenrolar-se”.
FÉ
E FOGO
OBS:
A
Editora Brasiliense sinalizou positivamente no sentido da publicação
do romance “A IGREJA”, condicionando este empreendimento
à mudança no título do livro de “A
IGREJA” para “FÉ E FOGO”. Um outro título
proposto por mim. A sugestão da referida editora foi por
mim acatada, uma vez que o bom senso nos leva a admitir que realmente
o título anterior, embora tenha sido apropriado no momento
da apresentação do projeto de produção
literária deste romance histórico, exerceria pouco
efeito impactante entre os leitores. Foi exatamente visando essa
melhor aceitação no mercado, e também buscando
assegurar a formalização de contrato com a Brasiliense,
que acatei as condições e as sugestões da
mesma para que tivesse acesso a uma publicação de
qualidade comprovada.
DADOS
DOS ORIGINAIS DO LIVRO LÁTEX
CATEGORIA:
ROMANCE HISTÓRICO
NÚMERO
DE PÁGINAS: 134 páginas
PALAVRAS:
57.253
NÚMERO
DE PÁRAGRAFOS: 1.006
LINHAS:
5.425
TRECHOS DO LIVRO
...Tudo aconteceu
muito rápido. A viagem transcorria calma e lenta. Preparávamos-nos
para comer alguma coisa quando uma gritaria estridente irrompeu
da garganta daqueles índios. Nossa atenção
foi então imediatamente voltada em direção
aos gritos que nos assustaram. Nunca poderia imaginar a seqüência
dos episódios sanguinolentos que aconteceram dentro daquela
embarcação. O primeiro a tombar foi o senhor Lourenço.
Uma forte pancada de remo no crânio seguida de uma série
de golpes. Logo em seguida, seu serviçal viu-se cercado
e assassinado por três dos índios. Eu só tive
a decisão --- já que me encontrava atrás
dos dois infelizes --- de atirar-me para fora do barco, lançando-me
no rio e mergulhando bem fundo. Depois nadei como um desesperado
na tentativa de salvar a pele...
...Existia muita
fome e a doença estava sempre presente naquele lugar. Tivera
que fazer aquilo para libertar a si mesmo e a todos. “Estavam
morrendo mesmo”, justificou-se. Levantou-se então
naquela madrugada quieta; foi até a varanda do barracão;
respirou o ar profundamente; sorriu para o rio escuro que passava
ao largo e dirigiu-se até a cozinha. Pegou duas facas;
uma grande e uma pequena. Lembrou também que não
houve tempo para os gritos. Só para aqueles gemidos abafados
e logo silenciados. A maior rasgava o pescoço e a menor
perfurava o coração, com ausência total de
qualquer dúvida. O sangue então jorrava. Seiva vermelha
daquele seringal maldito. Depois, lavou-se, trocou de roupa e
fugiu...
...--- Um incêndio,
comandante!...Um incêndio na popa... E vai atingir os inflamáveis!
--- gritou o imediato. --- Tudo está perdido --- afirmou
impotente. Temos que cair na água. Todo mundo! O comandante
não queria acreditar no que o imediato lhe falara. Mas,
desesperado, acionou a sirene do navio, soltando seguidamente
dois apitos breves e contínuos, procurando sinalizar o
perigo que acontecia a bordo. Enquanto isso, o fogo alastrava-se
continuamente e quase ao mesmo tempo em que a gritaria e o desespero
dos passageiros também aumentavam de intensidade. Aglomerados
no primeiro convés, adultos e crianças começavam
a atravancar os estreitos corredores da primeira classe. Todos
procurando fugir do fogo, indo na direção da proa.
O horror estampado em cada rosto. Pessoas, ainda presas na terceira
classe, começaram a pular no rio, procurando escapar do
inferno. Desses, muitos que não sabiam nadar, morriam debatendo-se
sob um vento forte que agitava ainda mais as águas habitualmente
tenebrosas do Solimões...