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Balada
O sol retorce a paisagem
sobre pés de pedra dura.
Estalam verdes do rio.
Peixes redondos, prateados
como escamas esmaltadas
nas tarrafas de chumbadas.
Uruás partem seus cascos
no barro virgem das grotas.
Alguidares se restauram.
No mormaço das mangueiras
as mulheres temporãs
tecem tarrafas chumbadas.
De
torrentes concentradas
vive meu verso bisonho,
sustido em fibras telúricas
do sítio, favas de sol.
Romance
da noite-chuva
Tremia o trovão na terra.
Talhavam
a face torva
gota a gota os seringais,
era o deus que era raivoso
e vinha nos temporais.
Bramia o rumor do rio
nas noites de escuro e chuvas,
caía a faixa da terra,
piavam surdo as corujas.
Um
noturno canto-pranto
cortava o céu em dois meios,
nosso deus vinha vestido
de nós e os nossos receios.
*
– Minha mãe, onde é que eu acho
a lamparina da noite?
– Meu filho, ela deve estar
pendurada lá no alpendre.
– Minha mãe, por que a coruja
pia agora sem parar?
– Meu filho, certo que existe
– Quero dormir, minha mãe,
dentro das trevas desta hora,
mas não posso me embrulhar,
o meu lençol me apavora.
– Meu filho, dorme, não chora,
que o dia custa a vir,
reza as três ave-marias,
muda a roupa e vai dormir.
*
A
terra tremia toda.
(Romanceiro)
um defunto a amortalhar.