Textos Selecionados:
As
portas do rio foram abertas
e vazaram peixes, caboclos, ubás.
Remar tornou-se verbo estático.
O tempo ancorou no raso
E o verde se decifrou
(Amazonas...)
O
porão de um barco tem suas redes,
como o cemitério seus mortos.
As redes respiram um sono
como o rio respira seus mistérios.
Sono de terceira classe, sobre o aquático
e não dormitar à flor da terra, sono jazigo, mármore.
(Ibidem)
Entre
cemitério e última classe
há uma diferença motriz:
um é plano jazigo e só gira
com todos os vivos da Terra e suas tumbas.
Enquanto o porão, com seu espaço casulo, gira
no ritmo da Terra e, ainda, com a fluência da água.
Porão e túmulo jamais serão um único
frasco.
O porão poderá ser tumulto
ou redoma de ossos falatórios.
Redoma, lugar hemisfério
onde se enxerga fora – longe do leme – o celeste.
Ou lugar que desfia, tecendo ao inverso, destelhando o sono do
homem
que já córrego, não mais será mistério.
(Ibidem)