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Luar
amazônico
Verão. Rio em deflúvio. A lua cheia
alonga perspectivas pela mata;
só a fauna da noite ali vagueia
à sombra errante que o luar dilata...
Álgido, estreito igarapé serpeia,
qual sinuosa lâmina de prata...
Que melopéia o urutauí flauteia
na solidão lunar da terra grata!
Amanhece; mas imitando um rito
sobre a mata flutua um véu de neve...
E o Sol – pátena de ouro do Infinito,
espera que no altar da selva nua,
o Sacerdote imaterial eleve
a imagem eucarística da lua!
(Luar amazônico)
Alma
de marujo
Amo, às vezes, fitar como os marujos
do velho cais, ao céu crepuscular,
o perfil oscilante dos saveiros
e o adeus das velas para o meu olhar.
Ao contato dos barcos forasteiros,
sinto em mim o desejo singular
de correr mundo como os marinheiros,
de ser marujo dominando o mar...
É
que, de certo, em épocas remotas,
as minhas ilusões foram gaivotas
no anil dos mares, ao rugir do Sul...
E, além seguiram – desgraçadas delas! –
o roteiro de sol das caravelas
talvez perdidas nesse abismo azul!...
(Ibidem)