Biografia / Bibliografia


Maranhão Sobrinho

José Américo Augusto Olímpio Cavalcanti dos Albuquerques Maranhão
Sobrinho nasceu em Barra do Corda, Maranhão, no dia 25 de dezembro de
1879. Ajudou a fundar, em 1900, a Oficina dos Novos e, em 1908, a
Academia Maranhense de Letras. Em seguida, veio para Manaus, onde fale-
ceu exatamente no dia em que completava 36 anos, ou seja, no Natal de
1915. Obra poética: Papéis velhos... roídos pela traça do Símbolo(São Luís,
1908), Estatuetas(São Luís, 1909) e Vitórias-régias(São Luís, 1911).

 

 

Textos Selecionados:

Vencendo o Saara

Queima as nuvens o sol, ensangüentando os ermos;
ais de sede se vão da face dos desertos.
No braseiro cruel das areias sem-termos
vais guiando, do azul, os meus passos incertos!
Passam, verdes, em luz, nos meus olhos enfermos
as miragens do amor dos meus sonhos despertos...
Que alegria no além, sobre as nuvens, ao vermos
os espelhos de luz de cem lagos abertos!
Vou, sem água, transpondo as ingratas savanas!
Expira o meu olhar nos longes horizontes...
Caravanas atrás e, adiante, caravanas!
Benditas sejas, fé, que, pela mão, me trazes!
Não tardam rutilar no ouro das nossas frontes
as bênçãos de cristal dos vívidos oásis!

(Papéis velhos... roídos pela traça do Símbolo)

Cromo

Desce a tarde. Faísca o sol distante,
tingindo o céu de púrpura sagrada
e, dos montes, dourando, instante a instante,
a sinuosa e oblonga cumeada...
Do mar a face de ouro e azul plissada
faísca opalas vivas, coruscante
como um pedaço imenso da alvorada
entre as glórias e as pompas do levante!
De vez em quando, sobre a face imota
do mar, toda a fulgir de pedraria,
roça a asa de luz de uma gaivota...
E vão chegando, aos últimos fulgores
do sol que vai dourando as penedias,
longe, os barcos gentis dos pescadores...

(Ibidem)

 
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