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Biografia
/ Bibliografia
Francisco
Gomes de Amorim
Nasceu em Avelomar, Portugal, em
1827. Aos dez anos, veio para a Amazônia na condição
de alugado, espé-
cie de escravidão branca que substituía o tráfico
negro. Foi discípulo de
Almeida Garrett, que deu início ao Romantismo português.
Faleceu em
1891, na terra natal. Obra poética: Cantos matutinos (Lisboa,
1858) e
Efémeros(1866). |
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Textos Selecionados:
O
Caçador e a tapuia
“Tapuia,
linda tapuia,
“Que fazes no cacaual?”
– Por aqui é meu caminho
Para ir ao cafezal. –
“Nem por aqui faz caminho,
“Nem há café que apanhar;
“Tapuia, linda tapuia,
“Que vinhas aqui buscar?”
– Eu ia apanhar goiabas
Para dar a meu irmão. –
“Ficam à beira do rio
“Não é nesta direção”.
– Ando em busca de baunilha,
Que minha mãe me pediu. –
“Menina, nos cacaueiros
“Nunca a baunilha subiu”.
– Pois então... eu vou ao lago,
Donde meu pai há de vir... –
“Ao lago por estes sítios!
“Para que estás a mentir?”
– Se o branco tanto pergunta,
Que já não sei responder... –
“Se tu dizer-me não queres,
“O que vens aqui fazer!”
“Todos os dias te vejo
“No meu cacaual andar;
“Sempre seguindo meus passos,
“Meus olhos sempre a fitar.
“Pergunto-te o que me queres,
“E tu olhas para mim;
“Ou para longe te afastas,
“Sorrindo-te sempre assim!
“Vens assustar-me as cotias,
“Pois nenhuma inda avistei;
“Mas se tornas a seguir-me,
“A teu pai me queixarei”.
– Adeus, branco; vou-me embora
Para não tornar a vir;
Se o branco não achou caça,
Não fui eu que a fiz fugir.
Não assusta a minha idade;
Que sou bela o branco diz;
Mas o que meus olhos mostram,
O meu branco ver não quis.
Eu sozinha atrás do branco,
Pelo cacaual andei;
E o branco vem queixar-se
De que a caça lhe assustei!
Era a caça quem caçava
Ao cego do caçador!...
Quem vê tão pouco não caça,
Que caça... adeus, meu amor.
“Anda cá, linda tapuia,
“Não vás assim a fugir;
“Tuas palavras tão doces
“Volve, volve a repetir”.
– Para trás não volve a caça,
Meu branco, aprenda a caçar;
Quem deseja caça fina
Deve-a saber farejar. –
Disse a tapuia, e na selva
Para sempre se ocultou;
Mas o caçador das dúzias
Parvo da caça ficou.
Cantos matutinos)
(Ibidem)
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