Textos Selecionados:
Enchente
Onde o rio agora habita
Nos campos fluviais?
Tomou o curso multiforme
(O que a morte dá).
Treme na rede pesqueira
(O céu em cada fio),
Exprime os meses nas ancas,
Enxutos no beira-rio.
O andaço na superfície
(A febre nas choupanas),
Rolam vozes de crianças
Nas águas acesas.
(Algum verso)
XVII
Vejo o álbum de retratos,
o mapa da minha infância.
Bonecos, carrinhos, folguedos
sobre o barquinho ligeiro
sem cais.
Brincam os irmãos na saleta,
tocam cornetas no vento.
Vaivém, petecas, estrelinhas.
Ilusões, dançai.
Imagens todas correndo
crianças apitos quintais.
Doce abandono da infância
neste álbum de sonho.
Nunca mais!
( Engenharia do tempo)