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Selecionados:
Panela
de Barro
Velha panela de barro,
tisnada à lenha do tempo
– memorial de lembranças
à toa lá no quintal.
Ao
refletir tua sina,
do duro retorno ao pó,
percebo que se aproxima
meu tempo de ficar só.
Tempo de ninar silêncio,
de domar a luz do dia
– pra cavalgar o escuro
da hora da travessia.
(Inédito)
Sina
de Porto
Meu chão pisado de sonhos
calejou no mesmo canto.
Seco de vida, meu pranto
é espera demorada.
Canoa calafetada
com o barro do meu destino,
não venceu a correnteza
dos rios que desafiei.
Sujeito à sina de porto,
vou esgotando a canoa
– olhos d’água borbulhantes
que um dia calafetei.
(Ibidem)
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