Bosco Ladislau

João Bosco Ladislau de Andrade, natural de Manaus, nasceu em 1.º de dezembro de 1954. É engenheiro civil e sanitarista, trabalhando como professor da Universidade Federal do Amazonas, lotado na Faculdade de Tecnologia. Mais conhecido como artista plástico, cultiva também a poesia, Poetas tendo, na última condição, participado de algumas antologias, como (Rio de Janeiro, 1986) e Marupiara(Manaus, 1988). brasileiros hoje

 

É mentira o que dizem estes senhores...

É mentira o que dizem estes senhores todos – estes
que afirmam identificarem-se com a geração subjugada,
mas que nunca trazem as mãos fedendo a cigarro barato
e nem recebem salário mínimo.

São, apenas, arautos
das Nações e de Sociedades
(corruptas e criminosas como as noites do Terceiro Mundo).
Disto sabem os deuses e os governantes
que nos conduzem à desgraça
quando simulamos a dissolução de seus sacramentos.
Disto sabem os deuses e os governantes
que nos limitam a uma existência louca.
É uma existência súbita e cruel;
como o preço do pão,
como a falta do feijão,
como os 99 cruzeiros mensais
das professoras do Nordeste
no Hemisfério Ocidental,como os 60% de desempregados
de algum lugar dispensados
em 1976,
como os crimes
que cortam as tardes no Hyde Park
ou na Praça da República!

Estes são os homens de ternos cinzas;
meros executivos que lêem García Lorca,
ou fazem grandes projetos para o amanhã.
No fim do dia
discutem entre si e dizem:

“Como são estranhos os homossexuais e as prostitutas que se beijam
e se consolam na desgraça... Complexos são os camponeses que trabalham
fazendo canções... Ordinários são os poetas, que falam de amor e do
Oceano Pacífico apenas para revelarem o choro dos oprimidos...”
(In: BEÇA & GATTI, Marupiara, p. 130-1)

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