Américo Antony

Américo de Amorim Antony nasceu em Manaus no dia 23 de setembro de 1895. Viajou para a Inglaterra, na companhia dos pais, com apenas cinco anos de idade e nesse país concluiu o curso médio. Pertenceu a várias entidades culturais, tais como: Academia Amazonense de Letras, Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas e União Brasileira de Escritores. Os Sonetos das flores
Faleceu no dia 18 de agosto de 1970. Obra poética:
(Manaus, 1959).

 

Igapó

Há uma escura paragem de saudades
Onde a água esconde as tradições amigas...
Onde a água chora umas canções antigas...
Onde a água geme... e é quase divindade.

Lá o rio oculta amplas fadigas,
E as sombras abrem em flor de suavidade,
E espera, e dorme, e sonha a eternidade
De insetos de ouro, e prónubas formigas...

Teto de selva e leito de água e trevas
Onde aves de mil cores bebem alma
Dos beijos nidiquidrópicos da palma...

Estoar de pólen, luz de água lembrando
Retinas mortas... gerações primevas...
Líquidos olhos de pajés boiando...
(Inédito)

 

A Ronda dos cisnes

À memória de Heliodoro Balbi
O lago acorda. E a lua se insinua
Entre o palmar que aljôfares desata.
Há um silêncio de cisma na alva lua...

Passam os cisnes... são gôndolas de prata.
O lago é rosa. A aurora ainda mais nua
Abre as carnes de anêmona ao sol louro...
Há um fervor de volúpia que flutua...

Centelham praias... passam os cisnes de ouro...
O lago é rubro. O sol no poente escalda.
É a glória em gozo extremo, ardente exangue...
Safira é o céu. A selva é de esmeralda.

A água é rubi... passam os cisnes de sangue...
Lago violeta – há uma queixa na bruma
Da distância na mágoa e na ansiedade...
É o crepúsculo abrindo em cada espuma
O lilás... passam os cisnes da saudade...

O lago dorme... mas, ferido de açoite
Das trevas, que os relâmpagos percorrem...
Os cisnes voltam negros como a noite,
Cantam na solidão da noite... e morrem.
(Inédito)

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