Aldisio Filgueiras

Aldisio Gomes Filgueiras, poeta e compositor, nasceu em Manaus, no dia 29 de janeiro de 1947. Sua estréia literária aconteceu em 1968, com o livro de poemas Estado de sítio, que, depois de editado, teve sua circulação proibida pela censura. Obra poética: Malária e outras canções malignas (Manaus, 1976); A República muda(Manaus, 1989); Manaus – as muitas
cidades(1987-1993) (Manaus, 1994); A Dança dos fantasmas(Manaus, 2001), Nova subúrbios(Manaus, 2004).

 

O Rio comanda a vida

ímpetos sexuais
aríete
de coisas diluídas

o rio traz nos dentes
as rédeas
de nossas vidas

e sob o tropel
de seus ásperos cascos
liquefeita
em cópias
de figuras trágicas

a presença inócua
e dúbia
de nossos corpos o rio des-governa
quase impossível
regime
de forças hidráulicas

apenas usadas
por lisos cardumes
de peixes argutos
em ciranda elétrica

o rio põe e dispõe
que
manhas e tramas
tem esse rio
e orgulho de senhor

por exemplo

risca funda fronteira
e aliena
seu feudo do mundo
em líquido
estado de sítio

e pênis raivando
de ímpetos sexuais

– aríete
de coisas diluídas –
o rio traz nos dentes
as rédeas
de nossas vidas
(Estado de sítio)

| Fechar |

www.call.org.br