| O
Rio comanda a vida
ímpetos
sexuais
aríete
de coisas diluídas
o rio traz nos dentes
as rédeas
de nossas vidas
e sob o tropel
de seus ásperos cascos
liquefeita
em cópias
de figuras trágicas
a
presença inócua
e dúbia
de nossos corpos o rio des-governa
quase impossível
regime
de forças hidráulicas
apenas
usadas
por lisos cardumes
de peixes argutos
em ciranda elétrica
o
rio põe e dispõe
que
manhas e tramas
tem esse rio
e orgulho de senhor
por
exemplo
risca
funda fronteira
e aliena
seu feudo do mundo
em líquido
estado de sítio
e
pênis raivando
de ímpetos sexuais
–
aríete
de coisas diluídas –
o rio traz nos dentes
as rédeas
de nossas vidas
(Estado de sítio) |