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Estudos
VI
O amargo deste sal que me alimenta
agora, eu mesmo o consegui catando
abismos nesse mar desconhecido
que o tempo me mostrou depois de mim.
Este sabor estranho de distância
que vivo a cada hora e que me envolve,
vem da vida que vi nessa voragem.
Sei, agora, que após a ronda inútil
por além dos limites do meu nada,
voltamos mais vazios, eu e o barco
que construí para guardar tesouros.
No
regresso noturno, cumpro o gesto
de buscar o local, em cada porto
onde possa esconder um sonho morto.
(Trilha dágua)
Da
noite do rio
Nesta noite sem medida
eu todo banhado em sombras
fugi de casa, fugi
para o branco desta praia,
como se a aurora que busco
neste rio se afogou.
Preciso acordar o rio
que está cansado de viagens
para ver se me alivio
da morte que trago em mim
com falas de cobras-grandes
e de mortos pescadores
que fazem parte do rio
e estão assim como estou.
No céu repleto de nuvens
há nuvens cheias de chuva:
por que não chove? Quisera
molhar-me dentro da noite,
tremer de fome e de frio
por remissão dos meus males
deixar meu corpo vazio
guardando o castelo inútil
e partir buscando a aurora
para
que venha depressa
banhar as águas do rio
e minha face marcada
dos ventos com que lutei.
(Ibidem)
Da
opção
Um belo mundo
de muitos lagos
de muitos rios.
Um belo mundo
de muitas matas
de muitas vidas
elementares.
Um belo mundo
de muitas lendas
de muitas mortes
antecipadas.
Velhas estórias
de água e florestas.
O homem e a terra.
A terra cansando
dos anos compridos
de extrativismo
na selva
no rio
na rua
na mente.
O homem cansado
de andar pelo tempo
sozinho sozinho
no meio da mata
na beira do rio
à margem da vida.
Velhas estórias
de água e florestas.
O homem e a terra.
– Eu canto para o homem.
(Ibidem)