Durante
trabalho de pesquisa histórica no interior de um conhecido
local de Manaus, um historiador, sobre o qual também declino
em revelar o nome, encontrou um tomo bolorento encerrado em um
cofre sujo e enferrujado. Era um livro grande e de cor preta,
desses geralmente usados para as anotações diárias
de movimentação de caixa. Uma espécie de
diário e que continha uma série de anotações
de cunho pessoal relatando acontecimentos e personagens que viveram
na Vila da Barra, depois cidade de Manáos, entre os idos
de 1850 a 1890. Seu escritor, em caligrafia caprichada da época,
apenas se identificou pelas iniciais S. R., intitulando os escritos
como “Relatos da Barra”.
Saliento desde já, que tal
manuscrito --- como medida perfeitamente cabível de precaução
do historiador ---, está atualmente guardado a sete chaves
em um cofre do escritório da firma na qual o mesmo trabalha.
Mas, por concordar comigo de que o teor desse importante manuscrito
deveria ser revelado ao público, o historiador em questão
me autorizou a colocar parte de seu conteúdo neste site.
Portanto, caros amigos internautas,
leitores e demais historiadores diletantes, aproveitem em primeira
mão esses “RELATOS DA BARRA”, que um tal de
S. R. nos legou.
Observo que este primeiro relato,
que abaixo transcrevo, já está vertido para o nosso
português contemporâneo, pois a escrita do texto original
tem a grafia totalmente diferente em algumas palavras, como villa,
immenso, differente, tribus, poderião e capella, o que
poderia confundir o leitor moderno.

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Marco Adolfs - Formado em jornalismo, é
roteirista, escritor, produtor e diretor. Atualmente trabalha
na TV Cultura do Amazonas, produzindo documentários sobre
temas regionais e sociais.